segunda-feira, 2 de julho de 2012

O PROBLEMA CENTRAL NA ATUALIDADE É O TIPO DE ALIMENTAÇÃO E OS AGROTÓXICOS


2 de julho de 2012


Por Raquel Rigotto, Fernando Carneiro e Anelise Rizzolo
Na Revista Caros Amigos


Com a hegemonia do modo de vida urbano-industrial, cada vez menos comemos conscientes de que estamos ingerindo porções do planeta, frutos de delicadas e complexas inter-relações entre os nutrientes do solo, os mistérios das sementes, as nuvens e a chuva, o trabalho humano e a cultura dos agricultores. Que alimentos são estes, que passam a fazer parte do nosso corpo?   
Se até cerca de 50 anos atrás a fome era uma preocupação central da humanidade, e se expressava pela desnutrição e carências alimentares, hoje o problema se reveste de uma nova face frente ao padrão alimentar altamente industrializado e processado ao qual todos nós temos sido submetidos. Em 20-30 anos passamos de desnutridos a obesos.
Na verdade, os segmentos socialmente vulnerabilizados acumularam as duas agendas, pois convivem tanto com doenças carenciais como anemia e deficiência de vitamina A, como com doenças crônicas como hipertensão, diabetes e dislipidemias – além da obesidade.
O ecocídio, etnocídio e genocídio iniciados na América Latina desde os tempos coloniais, com a monocultura e a escravidão, se expressam hoje no avanço das grandes corporações mundiais sobre a biodiversidade e o conhecimento que são a base da reprodução de nossa espécie. Como afirmam Haesbaert e Porto-Gonçalves, “é o controle da mais elementar energia que está em jogo, qual seja, o controle do modo de produzir os alimentos e garantir a saúde humana”.
Se o direito à alimentação adequada e saudável foi inscrito na Constituição Federal em 2010, são muitos os desafios para garanti-lo. Cultivos de produtos voltados para alimentar o ciclo dos agrocombustíveis, como a soja e a cana, ocupam cada vez mais terras agricultáveis, se expandindo sobre biomas como o Cerrado e a Amazônia. Enquanto isso, aquilo que vai à mesa dos brasileiros todos os dias, como arroz e feijão, seguem com a mesma área plantada ou houve redução desde 2002 a 2011, segundo dados do IBGE. E os planos do Ministério da Agricultura para 2020 são para aumentar a produção da soja, por exemplo, em 55%: biodiesel e ração animal!
Estas commodities trazem outros problemas para a população, por seu modelo de produção dependente de transgênicos, agrotóxicos e fertilizantes. Há três anos consecutivos o Brasil vem recebendo o angustiante título de maior consumidor mundial de agrotóxicos (nos últimos dez anos, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto o brasileiro cresceu 190%), aplicados em sua maioria nos monocultivos de soja, cana, milho, frutas. Mas também os pequenos agricultores, que produzem cerca de 70% dos alimentos que consumimos, vêm sendo fortemente influenciados pelos mitos difundidos pela revolução verde, de que, por exemplo, não se consegue produzir sem agrotóxicos. As milhares de experiências de Agroecologia no Brasil e no mundo estão aí para provar o contrário.

Contaminação
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 63% das amostras de frutas, hortaliças e legumes analisadas em 2010 estavam contaminadas por agrotóxicos, sendo que 28% apresentaram ingredientes ativos não autorizados para aquele cultivo e/ou ultrapassaram os limites máximos de resíduos considerados aceitáveis.
Conforme analisa o Dossiê de Alerta lançado pela Abrasco há cerca de um mês, “se estes números já delineiam um quadro muito preocupante do ponto de vista da saúde pública, eles podem não estar ainda refletindo adequadamente as dimensões do problema, seja porque há muita ignorância e incerteza científicas embutidas na definição destes limites, seja porque os 37% de amostras sem resíduos referem-se aos ingredientes ativos pesquisados, 235 em 2010 – o que não permite afirmar a ausência dos demais (cerca de 400), inclusive do glifosato, largamente utilizado (40% das vendas) e não pesquisado.”
Some-se a isto o fato de que, entre os 50 ingredientes ativos (IA) de agrotóxicos mais utilizados em nossas lavouras, 22 já são proibidos na União Europeia. E ainda a constatação de que ingerimos uma verdadeira salada de ingredientes ativos num simples alimento – a Anvisa encontrou amostras com até 18 IA diferentes.
A preocupação é maior porque a maioria do conhecimento científico disponível sobre a toxicidade destas substâncias se constrói a partir de estudos em animais de laboratório ou in vitro, considerando a exposição a apenas um ingrediente ativo de cada vez: há uma verdadeira zona de ignorância no que toca aos efeitos da exposição múltipla, situação mais comum tanto para os trabalhadores como para os consumidores.
A água que bebemos também pode estar contaminada com agrotóxicos. Segundo o Atlas de Saneamento e Saúde do IBGE, lançado em 2011, esgoto sanitário, agrotóxicos e lixo são as causas de poluição na captação em mananciais superficiais (72%), em poços profundos (54%) e em poços rasos (60%). O Ministério da Saúde, responsável por controlar a qualidade da água para consumo humano, não tem conseguido fazer sua tarefa: em 2008, apenas 24% dos municípios apresentam informações sobre o controle da qualidade da água para os parâmetros agrotóxicos (Netto, 2010).
Se as políticas públicas priorizassem o apoio à agricultura familiar e à transição agroecológica, em detrimento do agronegócio, poderíamos estar evitando as muitas doenças que a ingestão diária de água e alimentos contaminados por agrotóxicos causa sobre a nossa saúde. O leque de agravos para os quais fartas evidências científicas já estão estabelecidas é amplo, e vai desde alergias da pele e respiratórias, até os cânceres – leucemias, linfomas, de mama, próstata, cérebro, etc; passando por alterações endócrinas e imunológicas, problemas da reprodução – infertilidade masculina, abortos, óbitos fetais e malformações congênitas; além de doenças neurológicas como a Síndrome de Parkinson; doenças do fígado, dos rins e dos pulmões.
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde (MS) apontam que as intoxicações  agudas por agrotóxicos no país já ocupam a segunda posição dentre as intoxicações exógenas notificadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O número de casos notificados neste sistema aumentou de 2.071 para 3.466 entre 2007 e 2011, ou seja, 67,3%. Em relação às mortes, dados informados pelo Instituto de Saúde Coletiva da Bahia, em março de 2012, indicam a ocorrência no Brasil de 2.052 óbitos por intoxicação por agrotóxico entre 2000-2009.
E o que o SUS tem feito sobre este grave problema de saúde pública? Infelizmente, temas como esse estão longe da atual agenda política de um dos maiores sistemas universais de saúde do mundo. O Ministério da Saúde discute há cinco anos um Plano de Vigilância e Atenção a Saúde para Populações Expostas a Agrotóxicos e, até o momento, não conseguiu pactuar com estados e municípios a forma e os recursos a serem direcionados para implementar o mesmo.

Impunidade
Estamos diante de um Estado forte para financiar e promover o agronegócio; ao tempo em que é mínimo para proteger a saúde da população. Um pacto político-econômico onde predominam os interesses da bancada ruralista para maior liberalização do uso de agrotóxicos no âmbito do legislativo (mais de 40 projetos de lei nessa direção), no executivo (pressões sobre os órgãos reguladores como a Anvisa), no judiciário (impunidade nas mortes no campo), na pesquisa (mais de 95% dos recursos da Embrapa estão voltados para o agronegócio) e na mídia (o agronegócio possui até canais de televisão).
As novidades, em termos de uma reação organizada da sociedade civil vieram da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, tendo como sua principal bandeira de luta para 2012 o banimento dos agrotóxicos já proibidos em outros países. E também da sociedade científica, a exemplo do Dossiê Abrasco - Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde (www.abrasco.org.br). Uma de suas principais conclusões é que não são necessárias mais evidências científicas para uma ação clara de Estado para vigiar, proteger e promover a saúde das populações envolvidas; e para implementar políticas intersetoriais de incentivo à Agroecologia e à Reforma Agrária, para que esse modelo adoecedor seja alterado. Fome de alimentos, fome de saúde, fome de justiça.

Raquel Rigotto é professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará Núcleo Tramas/UFC e membro da Abrasco.
Anelise Rizzolo é professora do Departamento de Nutrição e do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Abrasco.
Fernando Carneiro é professor do Departamento de Saúde Coletiva e do Núcleo de Estudos de Saúde Pública, da Universidade de Brasília (UnB).

quinta-feira, 28 de junho de 2012

FALTA DE FISCALIZAÇÃO ESTIMULA O USO DE AGROTÓXICOS

Legislação brasileira permite o uso de produtos proibidos em outros países e coloca o país em 1° lugar no ranking mundial
27/06/2012

Marina Lopes,
de São Paulo

   Segundo o estudo de mercado publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso de agrotóxicos no Brasil superou em duas vezes a média mundial da última década, de 93%, crescendo 190% no período. Só em 2010, o mercado nacional de agrotóxicos foi responsável pela movimentação de aproximadamente US$ 7 bilhões.


O tomate é um dos produtos que está no ranking de contaminação por agrotóxicos 
Foto: Marina Lopes

   De acordo com o relatório da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), na safra brasileira de 2011, entre a plantação de lavoura temporária (soja, milho, algodão e cana) e permanente (café, cítricos, frutas e eucaliptos), foram utilizados cerca de 853 milhões de agrotóxicos pulverizados em 71 milhões de hectares.
  Para o professor Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), esse aumento se deve à falta de fiscalização adequada. “Vários produtos eliminados em outros países vêm para o Brasil por conta de uma legislação frouxa”, afirma.
   O Endossulfam é um exemplo disso. Altamente tóxico e proibido em países por estar associado a problemas reprodutivos e hormonais, ele está na lista dos 14 tipos de agrotóxicos em revisão pela Anvisa. Entretanto, deve ser proibido no país apenas em junho de 2013 para a queima de estoque existente.
   Entre os produtos com maior concentração de agrotóxicos, destaca-se o pimentão. De 146 amostras analisadas pela Anvisa, 92%(134) estavam com níveis acima do permitido. O morango, pepino, alface e cenoura também aparecem no ranking, respectivamente.
   O tomate é outro produto que ocupa um lugar elevado no ranking. De acordo com Kageyama, estudos comprovam que em apenas 2 meses e meio o legume recebeu 36 aplicações de agrotóxicos.
Segundo Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário em pronunciamento durante visita À Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Brasil precisa diminuir a quantidade de agrotóxicos na agricultura.
   Além de serem utilizados para aumentar os resultados da produção agrícola, eliminando as pragas, os agrotóxicos também estão sendo utilizados ilicitamente como agentes de desmatamento químico. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) já identificou áreas da floresta amazônica equivalentes a 180 campos de futebol destruídas por agrotóxicos.

Alimentos com concentração de agrotóxico acima do limite - Ilustração: Marina Lopes

Riscos para a saúde

   Os riscos da ingestão de agrotóxicos podem ser muitos. Quando ingeridos dentro das quantidades diárias aceitáveis, podem não causar nenhum dano. Entretanto, em quantidades elevadas podem provocar alergias, coceiras e dores de cabeça.
   Em casos de maior exposição, como o dos trabalhadores rurais, podem provocar uma série de distúrbios no sistema nervoso e, até mesmo, câncer. Tudo isso pode variar com o tipo de agrotóxico, idade, peso, tabagismo e etc.

Para saber mais:

DOSSIÊ ABRASCO- Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde

Nota Técnica de Esclarecimento sobre o Risco de Consumo de Frutas e Hortaliças Cultivadas com Agrotóxicos

Lista de Reavaliação dos Agrotóxicos pela Anvisa

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/9953

terça-feira, 26 de junho de 2012

VIA CAMPESINA ACABA COM FESTA DA HIPOCRISIA DA CNA E DENUNCIA AGROTÓXICOS

21 de junho de 2012

Da Comunicação da Via Campesina
Fotos João Zinclar


“Agronegócio é a mentira do Brasil”.
   Com essa palavra de ordem cerca de 250 militantes da Via Campesina ocuparam o espaço da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), montado no píer Mauá, para desmascarar o discurso do agronegócio de uma agricultura sustentável.
   Os manifestantes que ocuparam o espaço se destacaram de uma marcha que reuniu 3.000 camponeses e camponesas para denunciar as falsas soluções propostas pelo agronegócio para a crise ambiental.


http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SO4fAt-ugMU


   O stand, intitulado AgroBrasil, promovido pela CNA, Embrapa, Sebrae e por multinacionais como Monsanto e JBS, propõe a promoção de novas tecnologias para produzir alimentos e, segundo eles, preservar o meio ambiente. Além disso, será construído um documento de convergência de propostas das várias empresas do agronegócio, para ser apresentado à Rio + 20.
   Os militantes da Via Campesina colaram cartazes em todo o espaço denunciando o abuso do uso de agrotóxicos, que envenena a comida da população brasileira. Além disso, estenderam faixas e fizeram um ato para que as pessoas presentes no evento pudessem ter consciência do alto consumo de venenos nas lavouras e na mesa dos brasileiros, sendo o Brasil o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. “Você já tomou sua dose de veneno hoje?”, clamavam os manifestantes.
   Segundo Cleber Folgado, coordenador da Campanha Nacional de Combate aos Agrotóxicos, a CNA usa um discurso falacioso para tentar enganar a população. “Viemos aqui para denunciar e para que toda população saiba a farsa promovida pela CNA de que a agricultura do agronegócio é sustentável”. Segundo ele, além dos vários problemas sociais e ambientais promovidos por esse modelo de produção, o uso de agrotóxicos se mostra como um dos mais sérios destes.

Ação surpresa e marcha




   A manifestação surpreendeu os organizadores do espaço e as pessoas que visitavam o local vinculado à Rio + 20. Muitos apoiaram o ato, que ocorreu de forma pacífica, e seguiu de encontro a uma marcha organizada pela Via Campesina, do Sambódromo até o píer Mauá.
“Não podemos apenas ficar em casa produzindo se queremos que a agroecologia substitua o agronegócio. Temos que sair às ruas para lutar”, entoavam os manifestantes.
   Os manifestantes marcharam em fileira até o estande da CNA, local de encontro das duas ações. “Aqui o agronegócio discute as falsas soluções do capitalismo. Estamos aqui para repudiar essas falsas soluções e apoiar a soberania alimentar. O povo só é soberano quando produz seus alimentos com suas sementes e livre de agrotóxicos”, afirmou Dilei Schiochet, militante do MST na Paraíba.
   Os movimentos da Via Campesina propõem, em vez do agronegócio, a soberania alimentar, que consiste em dar condições dignas para os camponeses produzirem alimentos sadios para a população, com políticas públicas que incentivem a agricultura familiar e o respeito aos conhecimentos tradicionais e à natureza.


http://www.youtube.com/watch?v=5Z7wBD8SLTw&feature=player_embedded


FONTE: http://www.mst.org.br/content/campesina-acaba-com-festa-da-hipocrisia-da-cna-e-denuncia-recorde-de-agrot%C3%B3xicos

sexta-feira, 15 de junho de 2012

ALIMENTOS SAUDÁVEIS NA MERENDA ESCOLAR DAS CRIANÇAS


26 de setembro de 2011
Da Página do MST


   As 32 famílias assentadas do MST no Assentamento Rosário Associação Nova Esperança, no município de Ceará Mirim, Rio Grande do Norte, contribuem diretamente com a merenda escolar das escolas municipais da região.
   As escolas recebem frutas orgânicas como, goiaba, banana, mamão, laranja, abacaxi, e melancia. O bolo e a galinha caipira, assim como a batata e a macaxeira, que fortalece a alimentação das crianças, também são originários do assentamento.
   O Programa Nacional de Aquisição da Merenda Escolar (PENAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ambos do governo federal – que obrigam que 30% dos produtos da merenda escolar sejam oriundos da agricultura familiar – também possibilitam a geração de renda e desenvolvimento das famílias assentadas.
   Ao consumirem produtos sem o uso de agrotóxicos, as crianças acabam por ter uma alimentação rica e saudável, graças ao modelo agrícola desenvolvido no assentamento. 
   A parceria com a Prefeitura Municipal de Ceará Mirim e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) já vem sendo desenvolvida desde junho de 2010 e tem o acompanhamento direto de nutricionistas e técnicos.
   Além disso, o Assentamento ainda distribui suas produções para comunidades carentes do município e para acampamentos da reforma agrária, solucionando o problema da fome e ajudando no bem estar social das famílias beneficiadas com os alimentos de altíssima qualidade, de produção 100% orgânica. 
   As famílias que antes vendiam todos os seus produtos para atravessadores por um preço muito abaixo do valor, hoje entregam diretamente para as escolas municipais, detendo sua renda e seu sustento com sua própria produção, o que contribui no melhoramento da circulação e venda da produção do assentamento.
   De acordo com a agricultora Terezinha de Araújo, a renda da produção permitiu - com a certeza de uma venda direta e com o lucro garantido - a auto-organização financeira e social das famílias, para reforma das casas e aquisição de bens matérias, além da própria melhoria de vida dentro do assentamento. 


FONTE: http://www.mst.org.br/Alimentos-saudaveis-na-merenda-escolar-das-criancas

terça-feira, 12 de junho de 2012

Agricultores nos EUA alertam para praga de "superinsetos" com uso de transgênicos             

QUARTA, 06 DE JUNHO DE 2012

A multinacional Monsanto é acusada de permitir o surgimento de insetos resistentes a uma semente geneticamente modificada.

  Sucessivas denúncias contra práticas da multinacional agrícola Monsanto se acumularam nos últimos meses nos Estados Unidos. A primeira delas foi o surgimento de uma nova geração de insetos resistentes a uma semente geneticamente modificada do milho, conhecida como “Bt”. Noticiado pela revista Mother Jones e o site Nation of Change, o escândalo trouxe à tona a discussão sobre o modelo atual de produção de alimentos com o uso de transgênicos.
   Criada nos fins dos anos 1990 pela Monsanto, a semente possui em sua estrutura genética um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, responsável por matar os insetos comuns nas plantações. Além disso, a semente torna as plantas resistentes ao herbicida Roundup, também patenteado pela empresa e indicado para eliminar ervas daninha. A Monsanto lançou a semente Bt de milho, algodão e soja e a comercializou em 52 países.
   Desde 2004, um ano após o lançamento do produto, a multinacional recebeu relatos de agricultores norte-americanos sobre o surgimento de insetos resistentes à semente: de 2007 aos dias atuais, são aproximadamente 100 reclamações recebidas por ano. No entanto, apenas em agosto do ano passado o assunto se tornou público. Agricultores do estado de Iowa contaram ao jornal The Wall Street Journal que os insetos se tornaram resistentes à bactéria, devastando os campos de milho (FOTO ACIMA). Logo depois, agricultores na Índia relataram o mesmo problema com a semente.
   Segundo matéria do site NPR, antes mesmo do lançamento da Bt, cientistas e ativistas do meio ambiente alertaram para o perigo das sementes geneticamente modificadas. Mesmo assim, o produto foi aprovado pela US Environmental Protection Agency (EPA), órgão responsável pela aprovação de pesticidas nos Estados Unidos, com a ressalva de que 5% da plantação deveria ser feita a partir de sementes naturais. Dessa forma, os insetos mais resistentes, formados a partir das sementes Bt, se reproduziriam com insetos comuns, que atingiriam os 5% restantes, evitando a criação de uma nova geração de insetos geneticamente mais resistentes aos agrotóxicos. Isso, entretanto, não impediu a mutação dos insetos e, atualmente, grande parte das plantações feitas a partir das sementes Bt está ameaçada.
   A Monsanto, sediada nos EUA, é a maior fornecedora de sementes no mundo, responsável pela venda de 39% das sementes transgênicas no mercado internacional. No total, são 282 milhões de acres plantados no mundo com sementes Bt; desses, 142 milhões estão em solo norte-americano. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, a semente Bt representa 65% de toda a agricultura de milho e 90% da plantação de soja do país. Pesquisa realizada na Universidade de Sherbrook, no Quebec, Canadá, aponta que o milho geneticamente modificado está presente em diversos produtos alimentícios comuns à população, como bolachas e refrigerantes. Além disso, tanto a soja quanto o milho são responsáveis por alimentar animais para abate.
   A resposta da Monsanto não rompe com o modelo do agronegócio mundial: a gigante norte-americana, apesar de não se pronunciar sobre o problema, anunciou a criação de uma nova semente geneticamente modificada, a "Smartstax" que, segundo eles, poderá combater a nova geração de insetos com maior resistência. Na Índia (FOTO À DIREITA), este produto já está sendo comercializado, com o nome de Bollgard II. A aparente solução conta com o apoio da EPA, que apenas no final do ano passado se pronunciou sobre o problema das sementes Bt, apontando este novo produto como uma possível resolução.
   Ativistas e cientistas criticaram a saída encontrada pela empresa dizendo que ela perpetua um ciclo sem fim: criam-se agrotóxicos que induzem ao surgimento de insetos mutantes mais resistentes, que são combatidos, porém, por outros produtos químicos ainda mais potentes, produzindo uma geração de insetos imbatíveis. Da mesma forma que as sementes Bt, o pesticida da multinacional, o Roundup, criado para matar as ervas daninha que surgem ao redor das plantações, também fez com que surgissem plantas mais resistentes. De acordo com relatório da Organic Center, centro de pesquisas sobre agricultura orgânica, citado pelo site Grist, em 2009, agricultores estavam aumentando a aplicação do Roundup na tentativa de controlar a disseminação de ervas daninha ainda mais resistentes.

SAÚDE

   O surgimento de novos insetos e plantas resistentes aos agrotóxicos não é o único problema dos alimentos transgênicos. Pesquisas na área da Medicina nos Estados Unidos e Canadá apontam que a ingestão desses alimentos pode trazer consequências nocivas à saúde humana, como problemas no fígado e no coração. O Dr. Joseph Mercola, autor de livros sobre saúde, levanta a hipótese de que o aumento nas últimas décadas de doenças autoimunes, como alergias, está relacionado à crescente ingestão de agrotóxicos e de alimentos geneticamente modificados.
   O modelo simbolizado pela Monsanto, entretanto, não parece se abalar pelas crescentes denúncias, pelo contrário. Multinacionais da área do agronegócio encontram mercado crescente na África e América Latina. Nesta semana, nas reuniões do G8, os países deram poder à New Alliance for Food Security and Nutrition, um grupo composto por empresas do ramo do agronegócio, incluindo a Monsanto, para investir na indústria de alimentos da África.
   No Brasil, as perspectivas também são de crescimento: segundo pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), atualmente 85% da soja brasileira é produzida a partir de sementes geneticamente modificadas. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o Brasil representa mundialmente o segundo maior mercado para a Monsanto. Estes números apenas tendem a crescer, já que a projeção é que o Brasil ultrapasse os EUA na produção da soja.

Por Marina Mattar, Ópera Mundi.

FONTE: 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

   No jornal "Senso in comum" de fevereiro-março de 2012, que é um jornal laboratório do curso de Jornalismo da UFU, foi publicado uma reportagem sobre o GUARAS, com o título "Grupo da UFU desenvolve práticas sustentáveis - Estudo da Agroecologia é a base das atividades".


terça-feira, 29 de maio de 2012

   No dia 30 de maio de 2012 haverá mais um Espaço de Formação: "Alimente sua Consciência. Venha conhecer a Agroecologia através do GUARAS!" com o tema "Poder ideológico da mídia sobre a Agricultura Convencional".  
   Este espaço tem como objetivo subsidiar teoricamente como a agricultura convencional, o agronegócio, vem por intermédio dos meios de comunicação se demonstrar como único e verdadeiro produtor de alimentos em serviço da humanidade, mascarando a realidade presentes nos interesses da bancada ruralista, que atende não somente os interesses da mesma, mas sim do próprio capitalismo, tornando os agrotóxicos, as monoculturas, os grandes latifúndios situações normais e cotidianas na agricultura brasileira, deixando de lado todas as problemáticas sociais, econômicas e ambientais causadas.   



DIA: 30 de maio (quarta-feira)
HORÁRIO: 18h
LOCAL: bloco 5R-A sala 303, campus Santa Mônica


É importante que todos os participantes do espaço tragam uma camiseta lisa, pois parte do espaço será destinado a uma prática que utilizará de camiseta.

Observação: é importante ressaltar que este espaço não é restrito para conhecedores da área, é um espaço direcionado à troca de informações e experiências. Todos são bem vindos, independente da área de atuação ou profissão!